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06 novembro, 2009

Na terra da Chuva

  "Lembro-me de quando era pequeno e olhava atravez da janela, para a chuva que caia do outro lado.
 Para mim era como se houvessem duas realidades distintas:
 -A seca, que era onde eu me encontrava e aquele mundo molhado quase irreal.
 Quando me mudei para a terra onde vivo actualmente começou a surgir um novo habito nos dias chuvosos... continuava a olhar para a chuva como antigamente mas agora tambem saboreava o cheiro a terra molhada que de vezes a vezes me visitava.
 Não conseguem fazer ideia do prazer que este pequeno ritual me dava, enchia-me os pulmões e sentia que a natureza estava a limpar o mundo, comigo ali fechado em casa protegido de qualquer adversidade que me poderia atingir.
  Mas porem existem alturas na vida que nunca mais saboreamos como antigamente e agora que penso nisso, reparo que ja não tenho tanto gosto por este meu velho habito...
 Existem tantas coisas que com o natural passar do relogio perdemos, tantas que ficam enterradas numa pequena caixa em que nunca mais tocamos ou não temos capacidade de tocar.
 As vezes apetece-me abrir essas memorias e conseguir vive-las denovo, conseguir de um jeito inocente viver e sentir coisas que não conseguia explicar.
 E por isso posso dizer que crescer retira uma grande parte da aventura que é Crescer."

 Por isso hoje quando conduzia imaginei este pequeno textinho:




 Numa noite nublada como muitas outras, estava eu sentado a beira da minha janela, olhando para o ceu.
 Questionando-me porque é que as nuvens vinham hoje rodear o meu quintal.
 Fiquei de olhos gigantescamente abertos olhando para todo aquele aparato, quando por surpresa vi, uma apos outra lagrima do Céu a  bater no vidro da minha janela.
 Rapidamente gritei como quem não quer a coisa "Mãe!!!! as estrelas estão a chorar!" ouvindo rapidamente do outro lado "ó filho não digas disparates está a chover é algo natural é a condensação da água, que forma as nuvens e que depois faz chover...".
 Não acreditando logo nas palavras da minha mãe decidi observar mais atentamente, tentando perceber que palavras eram aquelas que ela para ali estava a falar.
 Condensações? disparate! gritei rapidamente, isto são as estrelas que choram e eu tenho que as ajudar.
 Escapoli-me para o quintal, onde o cheiro a terra molhada inundava o meu olfacto e agarrando no meu fiel cão que me acompanhava para todas as minhas aventuras, deixei para tras o abrigo da minha casa sem que a minha mãe se apercebesse.
 Não tardou muito a ficar encharcado mas isso pouco ou nada me importava, eu estava mais interessado em tentar resolver um problema de dimensão Estrelar, tentar curar o choro das estrelas, por isso gritei com toda a força dos meus pulmões, estrelas por favor digam-me o que se passa, mas não ouvia resposta, muito provavelmente não me conseguiam ouvir do sitio onde eu estava por isso comecei a caminhar gritando, primeiro no final da minha rua, depois no final da minha vila, ate que chegando a um local parecido com um monte de areia decidi do cimo gritar com todas as minhas forças, estrelas porque é que estão a chorar? quero ajudar-vos quero acabar com a vossa dor.
 Ao inicio continuo a chover como se nada fosse, mas rapidamente ouvi uma vozinha muito pequenina dentro de mim que me dizia, é a lua, a lua hoje desapareceu, tem vindo todos os dias a desaparecer, um bocadinho na semana passada um bocadinho ontem e hoje quando a procuramos ela não estava lá.
 Rapidamente aprecebi-me da gravidade da situação, sem lua as estrelas não conseguiam ter a atenção necessaria, pois sempre ouvira dizer que a lua é a paixão dos mortais e que dava relevo ao ceu.
 Mas que posso eu fazer disse, podes vir cá a cima ajudar-nos a procura-la tras o teu cão e vem por estas escadas que aqui te entregamos.
 E foi assim que degrau apos degrau subi ate ao ceu para ajudar as estrelas...

 XD isto foi só algo que me lembrei quando estava a ir para a faculdade.